Memórias: em algum lugar do passado…

Eu devo reconhecer que o meu olhar, ultimamente, tem se voltado muito para o “porão” da memória. Mas, justifico: é que de lá eu venho extraindo lembranças e lições do que já vivi. Tentando, com isso, dar mais significado aos inúmeros episódios e, em última análise, sentido a vida!

O que sei dizer é que se a gente pudesse incorporar um pouco mais o que as músicas dizem, ah!, como seria bom… Por certo, elas nos diriam com orgulho: “Se eu pudesse por um dia / esse amor, essa alegria / eu te juro, te daria / se eu pudesse esse amor todo dia. / Chega perto, vem sem medo. / Chega mais, meu coração. / Vem ouvir esse segredo / escondido num choro-canção”.

Também sei que em diversas ocasiões eu agi como na canção: “…dei pra sonhar / fiz tantos desvarios / rompi com o mundo / queimei meus navios”. Tudo bem… Faz parte do jogo da vida. Afinal, são os esconderijos da memória. São os nossos sonhos brincando no labirinto. Daí, então, eu reafirmar: que maravilha é viver! Mesmo que o amor, por vezes, se desencontre, ainda assim ele sempre será bem acolhido. Mesmo que a mulher amada proclame sem piedade que “na bagunça do teu coração / meu sangue errou de veia e se perdeu…” – eu continuarei acreditando que o afeto mora ao lado.

Pois é. De um jeito ou de outro, o fato é que eu tenho me perguntado: que “fotografias” levarei desta vida? Que histórias terei para contar ainda “desse lado”? Isso porque o percurso da gente é tão repleto de causos que, no fim das contas, o que nos cabe mesmo é ser bons contadores de histórias. Apenas isso!

Eu não posso dizer se terei sucesso ou não, uma vez que ainda estou plantando os acontecimentos. O certo é que tenho procurado não deixar que as fotografias adquiram um insípido “amarelado” e se “desgarrem” do meu álbum. Se eu conseguir isso, meus amigos, já será uma vitória!

Por tudo isso, então, eu prefiro ficar com as melodias que estão esparramadas pelo universo. No fundo, elas são sábias. E me embalam nesta linda manhã de sol. Na voz da Ana Caram, todos os anjos sussurram em meus ouvidos: “Não se afobe, não / que nada é pra já / o amor não tem pressa / ele pode esperar / em silêncio, num fundo de armário / na posta restante / milênios, milênios ao ar…”

Olhar o mundo

Olhar o mundo 2

Memórias: “Colina Joan Miró”, um lugar para se guardar na memória!

Durante mais de trinta anos esta casa abrigou os meus pais. Por isso, de algum modo, ela acabou se tornando a minha “Macondo” ou o meu “porto seguro”. Digo isso, porquanto além dos meus pais, eu entendo que ali residiram também muitas esperanças, alguns temores, sonhos a serem realizados e o que mais fizer parte da cota de afeto que um filho consegue construir ao visitar os seus pais.

Hoje, por certo, a “Colina Joan Miró” existe apenas no imaginário dos filhos e amigos. Contudo, resistindo a toda sorte de “desconstrução” que a vida impiedosamente prega, eu continuo fiel às lembranças que guardei daquela casa. Mais do que isso, sinto-me grato por tudo que aprendi com os meus pais!

Colina Joan Miró