JAZZ: Huddie “Leadbelly” e as prisões!

Há quem diga que o jazz não é um ritmo e sim um “estado de espírito”. Pois é… pode bem ser verdade. Afinal, quando falamos de espírito, referimo-nos essencialmente à alma humana: aquela “caixa-preta” que guarda tantas lembranças quanto o coração é capaz de comportar. O certo é que há no jazz alguma coisa mágica, que revela santos e demônios interiores e que aproxima músicos de todas as raças. Cantar ou tocar “blues” terá sempre o mesmo sentido: entregar a alma à melodia e colher o seu acalento. Por sorte, foram muitos os que conseguiram chegar ao “nirvana” e, com isso, deliciaram-nos com sopros, cantos e acordes. Sons que atravessaram impunemente a história graças à incrível riqueza melódica.
É sabido que o jazz revelou muitos espíritos inquietos, muitas almas inconformadas. De certa forma, pode-se dizer: ainda bem! Uma dessas almas inquietas foi a do guitarrista Huddie “Leadbelly” (1885-1949). Nascido em Louisiana (EUA), filho de um ex-escravo, Leadbelly criou-se ouvindo canções de gente do campo. Aprendeu a tocar guitarra de 12 cordas e acordeão e, muito cedo, aventurou-se em bailes do interior. Perambulou pelo Texas e Mississipi, sempre envolvido em encrencas. Foi preso muitas vezes. Sua música, no entanto, por duas vezes o livrou da dura prisão. Na primeira, pelo governador do Texas e na segunda pelo governador da Louisiana, ambos sempre encantados com a música de Leadbelly, e rendidos ao seu talento.

Enfim, assim é o jazz: tradicional ou ousado, elegante ou marginal, puro ou experimental… mas, sempre passional. Ainda bem, minha gente!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...