Disco: CD “Solo Monk”, com Thelonious Monk.

Thelonious Monk foi um desses extraordinários pianistas que ousou bem mais do que a maioria no jazz. Sua melodia tem acordes sincopados e, por vezes, dissonantes. Talvez, por isso, tenha sido “relegado” pela “velha guarda”. Certa vez, um crítico afirmou: “A música de Thelonious é como dar um passo no vazio em plena escuridão”. Pode ser. Afinal, Monk foi rotulado de excêntrico, enigmático e até de louco… Porém, genial!
A verdade, meus amigos, é que não se pode ouvir as canções de Monk a qualquer hora. Lá, isso não! É preciso concentração e estado de espírito. Caso contrário, ficamos fatigados já na terceira ou quarta faixa do disco.

Monk foi preso sob acusação de posse de drogas no início dos anos 50. Indiferente a tudo isso, ele continuou a trajetória, compondo memoráveis canções. “Ask me now” é uma delas: belíssima!

Thelonious Monk exerceu muita influência em outros grandes pianistas. Até Oscar Peterson reconheceu isso em uma entrevista.

Este álbum, intitulado “Solo Monk”, foi gravado em 1964. Chamo especial atenção para a faixa, “These foolish things”. Aí, sim, temos aí o verdadeiro Monk: bem solto, inventivo e… apaixonante!

https://www.youtube.com/watch?v=Q6H6DjPBFOo

T_Monk

JAZZ: Billie Holiday, a grande dama do jazz!

A história da sofrida e atribulada vida de Billie Holiday já foi tema de muitos filmes e documentários, quase todos retratando a infância pobre e amarga da grande dama do “blues”. É sabido, por exemplo, que os infortúnios de Billie só foram atenuados, em parte, pela profunda relação amorosa que estabelecera com sua mãe. Em seu livro autobiográfico, Billie começa nos chocando: “Minha mãe e meu pai eram dois garotos quando se casaram. Ele tinha apenas 18 anos, ela 16… e eu, três”. Pouco depois, seu pai foi-se embora para Nova Iorque, deixando-a desamparada. Com isso, a educação de Billie foi “incumbida” aos parentes, que muito a maltratavam. O que se seguiu, segundo afirmam, virou lenda: Billie mudou-se para Nova Iorque, trabalhou como empregada doméstica, foi prostituta e acabou se tornando a maior cantora do jazz. Certo mesmo é que ela foi uma linda mulher. Habitualmente, vestia-se de branco: sempre a rigor e com uma gardênia enfiada nos cabelos. Era a sua marca registrada! Gravou discos com os maiores músicos existentes e encontrou em Bessie Smith a musa inspiradora de sua fenomenal carreira. Mas, a partir do início dos anos 50, a vida de Billie desceu a ladeira. Fez-se refém do álcool e das drogas e travou uma impiedosa luta contra a dependência à heroína, saindo-se derrotada. Seus últimos anos de vida foram duros e aviltantes. Injustos, até. Afinal, a grande dama tornou-se vítima de um mundo que, desde o início, foi “padrasto” para ela. Faleceu em 1959, com apenas 45 anos de idade!

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