Literatura: Gabriel Garcia Márquez, John Coltrane e Holdemar Menezes, meus eternos “feiticeiros”.

Foi na casa do tio Holdemar que eu fui apresentado à literatura de Gabriel Garcia Márquez. Estávamos em 1968, o ano que não acabou. Eu tinha 17 anos e vivíamos tempos difíceis, pois boa parte da América Latina sofria com os regimes autoritários. No pequeno escritório da casa, no primeiro andar, ele me presenteou com a novela de Gabriel, intitulada “Ninguém escreve ao Coronel”. Céus, que estilo maravilhoso! Fiquei extasiado com o texto. Depois disso, para minha sorte, eu conheci “Cem anos de solidão”, “O outono do patriarca”, “Crônica de uma morte anunciada” e tantos outros livros do mestre, incluindo o magistral romance “O amor nos tempos do cólera”. Curiosamente, ao mesmo tempo, conheci também John Coltrane e as suas incríveis baladas. “Carlos, você conhece as baladas do Coltrane?”, perguntou-me Holdemar. Claro que não “conhecia”. Então, escutei. Uma, duas, diversas vezes. Ah, que incríveis foram aqueles sopros! Somente após ouvir aquelas baladas é que fui “compreender” o que era elegância e bom gosto no jazz. No meu imaginário, vejam vocês, Coltrane tocava “Say it (over and over again)” vestido a rigor, tal era o finesse com que ele soprava o sax.

Desde então, meus amigos, eu nunca mais pude me separar de Coltrane, de Gabriel Garcia e nem das lembranças que carrego do nego velho Holdemar…  Ainda bem!

Gabriel Garcia

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...