Jazz: Bessie Smith e os primeiros “blues”…

Pode-se dizer que os primeiros “blues” apresentavam um estilo rude e estridente, quase desagradável de se ouvir, porquanto se assemelhavam muito aos “gritos” do tempo da escravidão. Eram melodias construídas em compassos de doze notas, estabelecendo um padrão, e contavam as aventuras e os infortúnios dos que perambulavam pelo Sul dos Estados Unidos. Os homens foram os primeiros a cantar blues. Com guitarras penduradas nos ombros, primitivos cantores utilizavam a matéria-prima que vinha do reservatório das canções populares afro-americanas. As letras das canções eram tristes e pesarosas e, quase sempre, expressavam forte estoicismo. Mas, até onde se sabe, a origem do “blues” veio da música branca, por conta da influência dos cânticos religiosos…

Quanto às mulheres, elas só começaram a realizar temporadas em teatros e espetáculos de rua no início da década de 1900. No entanto, curiosamente elas alteravam muitas letras e mudavam os temas para os “problemas do amor”. Sorte a nossa, isso sim, pois essas almas femininas selaram de vez os destinos do “blues” e nos legaram verdadeiras pérolas. Ao aliviarem as suas dores com os fortes “gritos”, as mulheres renovavam as esperanças. Esperanças de que seus homens voltassem “vivos” após a dura jornada de trabalho. Esperanças de que os carinhos pudessem vir com eles. E, sobretudo, esperanças de que o mundo estendesse a mão caridosa e abençoasse o imenso amor que continham por seus homens. O que sei dizer, meus amigos, é que de um jeito ou de outro nós temos que agradecer intensamente a essas mulheres: seja por seu amor, seja por seu lindo canto!

 

 

Filme:  Bessie Smith – St. Louis Blues (1929)

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...