Memórias: o “sentido da vida” e os cabelos brancos!

Vejam como são as coisas. Certa vez ao assistir ao programa de entrevistas numa emissora de TV, eu percebi que o sentido da vida (da minha, ao menos) fora ali revelado. Deixem-me explicar. Era um consagrado programa de entrevistas e o convidado especial daquela noite era o ator Juca de Oliveira. Pois muito bem. A entrevista seguia morna, mas, em dado momento, ele foi indagado sobre a técnica que usava nos palcos para “driblar” as dificuldades cotidianas em favor da personagem. Com muita sabedoria, Juca declarou: “realmente, nós utilizamos certos truques quando percebemos que não “vestimos” por inteiro a personagem. Eu, por exemplo, quando me flagro nessa situação, sou tomado por um forte desassossego. Por conta disso, eu busco na plateia, desesperadamente, um rosto que me seja profundamente terno e familiar. Geralmente, eu acabo encontrando este rosto numa velhinha de “cabelos brancos”, sentada logo nas primeiras filas. Aí, então, começo a desempenhar os primeiros dez ou quinze minutos da peça com o olhar voltado apenas para “ela”. Invariavelmente, o que tem acontecido é que “ela” percebe e, com isso, me devolve sob a forma de um intenso brilho nos olhos ou um doce sorriso estampado no rosto toda a emoção vivida. Como consequência, eu fico tão comovido com a reação que, quando me dou conta, já incorporei “a personagem” e o restante da peça é, enfim, ofertado a todos”. Moral da história, minha gente: todos nós, de alguma maneira, precisamos encontrar em tudo o que fazemos “aquela” velhinha de cabelos brancos, para darmos sentido a vida. Irremediavelmente!

PS. Sim, ia esquecendo: o belíssimo quadro é de minha querida mãe, Jarina Menezes, uma baita artista plástica que resolveu pintar em outras paragens…

O sentido da vida

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...