Jazz: a música “libertadora”!

Boa parte das raízes do jazz surgiu na religião. Talvez por ser uma música reveladora da alma. Talvez por ter nascido na aspereza da dor. O certo é que o jazz sempre andou de braços dados com a espiritualidade e, por isso, cativa e acalenta nossas esperanças. E esperança, meus amigos, é algo “mágico”. Algo que somente as criaturas dotadas de imaginação e sensibilidade são capazes de perpetuar. Sorte a nossa, então, termos recebido esse fabuloso legado. Assim, podemos dar sentido àquilo que acreditamos e, em última análise, às nossas vidas!

Muitas pessoas consideram o “blues” uma espécie de música triste, marcada pela sofreguidão. É bem possível que seja. Afinal, os autores dos memoráveis blues tiveram momentos difíceis em suas vidas. O cego Lemon Jefferson, por exemplo, foi um típico representante dos primitivos cantores de blues, que “erravam” pelo Sul dos EUA na primeira metade do século passado. Filho de lavrador, nascido no Texas, em 1897, Lemon aprendeu desde cedo que a música era a única esperança capaz de fazê-lo escapar da amarga pobreza e conformar-se com a cegueira. Por isso, aprendeu sozinho a tocar guitarra e cantar nas ruas de Dallas para ganhar alguns poucos “cents”. Uma dura realidade. Muitos outros exemplos, como esse, poderiam ser lembrados. Provariam apenas que o jazz, assim como a religião, só adquire “significado” se consegue libertar almas. Portanto, bendito seja o jazz. Bendita seja a esperança. Benditas sejam todas as libertações!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...