JAZZ: as “canções de trabalho”, onde tudo começou!

Recentemente assistimos nos cinemas ao filme intitulado AMISTAD. O tema tratado era o racismo. Como pano de fundo, o filme alardeava a “democracia” americana. Víamos um navio veleiro chegando aos Estados Unidos na segunda metade do século XIX. Traziam negros africanos que seriam vendidos como escravos. Todavia, o exemplo citado acima não era novo. Muito antes disso, em 1619, aportou em Jamestown, Virgínia, o primeiro navio carregado de escravos negros. Era a mão de obra barata na qual se desenvolveria toda a economia dos estados do sul. Embora o governo norte-americano tivesse proibido, em 1808, o tráfico de escravos, o que se viu foi o contrário disso. Os escravos eram tratados de forma desumana: acorrentados e levados aos campos de lavoura para uma dura jornada de trabalhos forçados. Ironicamente, a mais bela e vigorosa música do cancioneiro norte-americano surge nesse exato momento. Foram as “canções de trabalho”. Nascidas na aspereza da vida. Nascidas na perda da liberdade. O tema central sempre foi o “lamento”. Foi a forma encontrada pelos negros de sublimarem a dor. Cantavam os seus “prantos”, cantavam a sua desesperança… simplesmente, cantavam. Assim é o jazz!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...