JAZZ: as “canções de trabalho”, onde tudo começou!

Recentemente assistimos nos cinemas ao filme intitulado AMISTAD. O tema tratado era o racismo. Como pano de fundo, o filme alardeava a “democracia” americana. Víamos um navio veleiro chegando aos Estados Unidos na segunda metade do século XIX. Traziam negros africanos que seriam vendidos como escravos. Todavia, o exemplo citado acima não era novo. Muito antes disso, em 1619, aportou em Jamestown, Virgínia, o primeiro navio carregado de escravos negros. Era a mão de obra barata na qual se desenvolveria toda a economia dos estados do sul. Embora o governo norte-americano tivesse proibido, em 1808, o tráfico de escravos, o que se viu foi o contrário disso. Os escravos eram tratados de forma desumana: acorrentados e levados aos campos de lavoura para uma dura jornada de trabalhos forçados. Ironicamente, a mais bela e vigorosa música do cancioneiro norte-americano surge nesse exato momento. Foram as “canções de trabalho”. Nascidas na aspereza da vida. Nascidas na perda da liberdade. O tema central sempre foi o “lamento”. Foi a forma encontrada pelos negros de sublimarem a dor. Cantavam os seus “prantos”, cantavam a sua desesperança… simplesmente, cantavam. Assim é o jazz!

Memórias: a vida de “Canelau”!

Quando uma criança(*) chega ao mundo, convenhamos, ela vem impregnada de pureza angelical. Logo a seguir, passa a receber a forte carga emocional dos pais que, por vezes, aparece de modo instável e complicado. Então, começa aí a “via-crúcis” do novo indivíduo, que pode enveredar por caminhos imprevisíveis. Aliás, se olharmos bem, veremos que tudo isso é profundamente injusto. Afinal de contas, o inocente “rebento” nem bem adquiriu imunidades e já é bombardeado por um monte de insanidades. Paciência, fazer o quê?!

O problema é que daí pra frente a “batalha” não mais findará. Porquanto esses filhos estão sujeitos a toda sorte de frustrações e violências. De tal monta, meus amigos, que se não criarem rapidamente mecanismos “sadios” de autodefesa, a coisa vai longe. E como!

Por ironia, é nesse exato momento que se dá início a formação do caráter de uma pessoa. E digo isso de forma consternada, pois acredito que seria bem melhor se tivessem mais tempo para depurar a “herança” recebida. Por conta disso, muito precocemente, eles são obrigados a fazer uma infinidade de escolhas. Escolhas do tipo: “quero isso” e não “aquilo” ou “gosto disso”, mas não “daquilo”…

De qualquer forma, indiferente aos nossos problemas, o mundo segue o caminho dele. Lentamente, ele vai nos apresentando às “encruzilhadas”, oferecendo “tentações” e nos empurrando aos becos sem saída. Céus, que vida complicada, não?! O que fazer, então?!
Sinceramente, não sei. Eu juro a vocês. Sei apenas que o destino de cada criatura a ela pertence. Lá, isso sim! E ao que tudo indica, não há “receita de bolo”. Tampouco o “dever de casa” pode ser antecipado. Pois é, meus amigos, pelo visto, o jeito é arregaçar as mangas e ir à luta. Da melhor maneira que puder. Ou souber. Quanto ao restante, bem… aí ficará por conta de outros fatores: talento, sensibilidade, determinação… e, até mesmo, sorte.
O que posso dizer é que comigo não foi diferente. Ainda que a tarefa seja interminável, eu também tive que desbravar os meus “caminhos” e muitas “voltas” fui obrigado a dar. Não posso garantir que eu tenha alcançado grande êxito, mas que estou feliz, lá, isso é verdade.
Por tudo isso, quando vejo meu filho com quinze anos e meu adotado neto com 1 ano e meio, confesso que sinto um aperto no estômago. Sim, é verdade. Sinto medo por eles, pelos percalços que ainda terão que enfrentar, em um mundo mais conturbado do que nunca!

Com isso, resta-me apenas torcer para que o “anjinho da guarda” de cada um deles seja gentil e prestativo, desses que não se cansam de permanecer de prontidão à espera de eventual “servicinho extra”… Meu Deus, oxalá, seja assim!

(*) Como um bom cearense, informo que a foto está aqui apenas para comprovar que um dia eu já fui criança  ou, como dizem naquelas bandas, fui “canelau”!

A vida a ser vivida