Memórias: Bocaina, um sonho da infância distante…

Dizem que o melhor aliado do homem é a “memória”, porquanto é o único patrimônio verdadeiramente intransferível. Tudo o mais é efêmero e não redime o coração de quem quer que seja. Sim! Eis aí uma verdade que concordo. Plenamente.

Muitas vezes, meus amigos, observa-se que o destino de uma criatura sofre bruscas mudanças e subverte os caminhos do coração. Ainda que seja injusto, convenhamos, são incontáveis os casos em que a “roda da vida” manipulou os acontecimentos. Seja atropelando sentimentos, seja cerceando talentos ou mesmo modificando o rumo de algumas histórias. Pois é. Sabemos também que o ser humano é detentor de fortes contradições e que a sua busca por uma vida melhor nem sempre logrou êxito. Mário Quintana, o nosso encantado poeta, declarou um dia: “Ah! se exigirem documentos aí do “Outro Lado”, extintas as outras memórias, só poderei mostrar-lhes as folhas soltas de um álbum de imagens: aqui uma pedra lisa, ali um cavalo parado ou uma nuvem perdida, perdida… Meu Deus, que modo estranho de contar uma vida!”

Por sinal, foi por conta de umas fotos antigas que tudo isso me veio à cabeça. Bocaina, esse era o nome da minha pequena “Macondo”! Por certo, não tinha a dimensão da Macondo de Gabriel Garcia Marquez. Contudo, estejam certos, ela não era apenas uma colônia de férias como outra qualquer. Bem mais do que isso, Bocaina foi o grande laboratório que desvendou o imaginário de muitos que ali estiveram. Lá, isso sim! E como estou atravessando uma fase de “inventariar” as muitas passagens que já tive, não poderia deixar este registro passar em brancas nuvens. Afinal, cada um de nós tem lá a sua “Macondo”. E o mais importante é como fazer uso dela junto ao seu imaginário!

 

Fotos: Colônia de Férias da Bocaina, nos anos 60.

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Bocaina2

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...