Jazz: a importância dos “minstrels”.

Nos meados do século XIX, havia uma grande moda na música dos negros do sul dos Estados Unidos: atores brancos pintavam o rosto de preto e faziam imitações de danças e cantigas das fazendas do Sul. De forma quase sempre jocosa, esses atores contavam piadas e representavam os “crioulos”. Era o início dos irreverentes espetáculos dos “minstrels”, uma forma de divertimento que viria a imperar nos palcos americanos durante mais de cinquenta anos. Seguramente, nos dias de hoje, pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de assistir aos autênticos espetáculos desse gênero. Sendo assim, fica difícil imaginar o papel que tais shows desempenharam na vida americana. No entanto, sabemos que diversas companhias ambulantes de “minstrels” percorriam as cidades e aldeias, levando na bagagem um mundo resplandecente, melodioso e bem-humorado a plateias ávidas de entretenimento. Por isso mesmo, a chegada de uma companhia, sempre anunciada com cartazes espalhafatosos, provocava um verdadeiro delírio nas pessoas, até mesmo nas aldeias mais pacatas. No início, todos os “minstrels” eram brancos, mas, no fim da Guerra Civil, também os negros formaram suas próprias companhias. Aliás, se pensarmos bem, era uma baita ironia: atores negros imitando os seus “imitadores”!

minstrels

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...