Memórias: apesar de tudo, o Rio de Janeiro sobrevive!

DA SÉRIE: A VIDA CONTINUA ME SURPREENDENDO!

Pois, então, meus amigos. Não é que após dez anos sem ver o querido Rio de Janeiro, que me acolheu durante 42 anos e me ajudou a começar a “soletrar o mundo”, retornei em janeiro deste ano para uma curta temporada cultural. Comecei visitando o Museu do Amanhã, um projeto sensacional, e tive a gratíssima surpresa de ver que o meu amigo Luiz Alberto Oliveira (extraordinário físico e músico, não sei se nesta ordem!) é o curador da grande exposição que lá se encontra. Meu Deus, que orgulho eu senti em ser brasileiro, por ter vivido no Rio boa parte da minha vida e, acima de tudo, por ter cultivado esta preciosa amizade!

O centro do Rio de Janeiro foi todo revitalizado e assumiu ares de grande metrópole, com transporte moderno e eficiente e pleno de atrações para os inúmeros turistas que visitam a Cidade Maravilhosa. Tanto é verdade, que ali bem ao lado visitamos o Museu de Arte do Rio e, curiosamente, descobri que até mesmo uma “armadilha para prender disco voador” foi algo já pensado, vejam vocês…

Depois disso, abraçado pelo “verãozinho” do Rio, só mesmo um almoço bem refrigerado na Cantina Buonasera, no Barra Shopping (indo até lá de Metrô e depois BRT: um luxo!). Gabriel, meu filho, ficou encantado com a facilidade do “ir e vir” carioca!

Todos sabem dos problemas que o Rio de Janeiro está enfrentando. O que esses pilantras fizeram é algo abominável, profundamente desleal à cidade que, apesar de tudo, continua recebendo a todos com carinho e bom humor. Dias melhores ao Rio de Janeiro, é o que posso desejar!

 

Jazz: a importância dos “minstrels”.

Nos meados do século XIX, havia uma grande moda na música dos negros do sul dos Estados Unidos: atores brancos pintavam o rosto de preto e faziam imitações de danças e cantigas das fazendas do Sul. De forma quase sempre jocosa, esses atores contavam piadas e representavam os “crioulos”. Era o início dos irreverentes espetáculos dos “minstrels”, uma forma de divertimento que viria a imperar nos palcos americanos durante mais de cinquenta anos. Seguramente, nos dias de hoje, pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de assistir aos autênticos espetáculos desse gênero. Sendo assim, fica difícil imaginar o papel que tais shows desempenharam na vida americana. No entanto, sabemos que diversas companhias ambulantes de “minstrels” percorriam as cidades e aldeias, levando na bagagem um mundo resplandecente, melodioso e bem-humorado a plateias ávidas de entretenimento. Por isso mesmo, a chegada de uma companhia, sempre anunciada com cartazes espalhafatosos, provocava um verdadeiro delírio nas pessoas, até mesmo nas aldeias mais pacatas. No início, todos os “minstrels” eram brancos, mas, no fim da Guerra Civil, também os negros formaram suas próprias companhias. Aliás, se pensarmos bem, era uma baita ironia: atores negros imitando os seus “imitadores”!

minstrels