Jazz: “Black is beautiful!”

Há quem acredite que os negros são dotados de um senso rítmico especial e inato. Segundo esses, a música tem um balanço diferente em todos os lugares onde os negros são maioria. Pode bem ser verdade. Porquanto a música negra é mais cadenciada, mais corporal e, ironicamente, bem mais alegre. Irônico, porque, convenhamos: para sublimar séculos de escravidão e muitas dores, eles tiveram que “rebolar” um bocado. Literalmente! E como consequência, tornaram-se os reis do suingue, da espontaneidade e até da malícia na arte rítmica. A “grande herança” sempre foi transmitida de uma geração a outra, muitas vezes, clandestinamente. Eram tempos difíceis. Tempos em que os homens, as mulheres e as crianças usavam a música e a dança como expressão de “fala”. E o que aquelas palavras diziam, meus amigos, inexoravelmente, eram apelos por liberdade e justiça. Um clamor que o homem branco teve muita dificuldade para entender. Como castigo, viu-se obrigado a reconhecer o enorme valor da arte negra. Arte baseada no ritmo e na melodia, nas letras das canções e nas danças… enfim, arte nascida dessa maravilhosa negritude! E foi preciso muito, muito tempo para que um dia um branco dissesse: “Black is beautiful”!

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