Cinema: filme “Amores brutos”, de Alejandro Gonzalez Iñarritu.

APENAS  UMA  HISTÓRIA…   –  Parte 1 / 2

Uma coisa eu asseguro a vocês: os filhos não saem iguais, por maior que seja o esforço dos pais em dar tratamento semelhante!

Daquela numerosa família, o que mais me chamou a atenção foi “Canelau”. Eta, moleque diferente! É bem verdade que ao conhecer a história dele passei a ter dúvidas sobre o conceito de força ou fraqueza. Hoje eu acredito, minha gente, que isso é algo muito sutil. Algo que os pais não costumam transmitir e tampouco se aprende nas escolas. No fundo, é bem possível, somente a vida consegue ensinar!

O que posso afirmar, sem medo, é que aquele garoto franzino me botou numa “sinuca de bico”, pois me vi, pela primeira vez na vida, tentado a acreditar em “espíritos e entidades”. Eu explico, meus amigos.

É que Canelau vivia me falando das “conversas” que tinha com o falecido irmão, Luciano. No início, confesso: não dei muita bola para essa história. Achava que era apenas mais uma fantasia de criança, essa coisa de brincar com “amiguinhos fictícios”. Mas, de alguma maneira, eu sentia que aquilo mexia comigo. E não sabia nem como nem por quê!

O tempo foi passando e ele, Canelau, ficava cada dia mais esperto, extrovertido. Estampava uma alegria que, muitas vezes, eu desejava saber o motivo, uma vez que a vida não era nada generosa com ele e os seus. O fato é que ele aprendia muito rápido as “malandragens” dos jogos, das tarefas da escola e dos relacionamentos com os amigos. Na hora do aperto, aquele menino conseguia manter a calma e descolava a necessária resposta. Sempre. Só vendo!

Até que um dia, inesperadamente, Canelau saiu de casa. Muitos anos se passaram até que eu o reencontrasse, já com quarenta anos de idade. Acompanhado por um belo cachorro, contou-me que havia se engajado em diversos “movimentos” e que viajara bastante, fazendo alguns “cursos”. Quais? – eu perguntei. Ele, porém, não respondeu. Creio que nem era preciso.

Saímos daquela praça e caminhamos um bocado. Conversamos longamente sobre muitos assuntos. E eu pude perceber que a expressão dele era bem diferente daquele menino franzino que conheci e, quem sabe, estivesse sepultado para sempre…

Somente ali, meus amigos, eu me dei conta de que tinha ao lado um “livre pensador”. Sim! Percebi, também, que as heranças de cada um nem sempre determinam o destino da pessoa. Por tudo isso, devo confessar: eu celebrei o encontro com aquele “homem”. Afinal, na minha frente havia mais uma criatura que se “libertara”. Um indivíduo especial, sem dúvida, e que possuía um olhar voltado para além dos triviais assuntos ou motivos.

(continua)

perros

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...