Cinema: filme “Chocolate”, de Lasse Hallström.

OUTROS  CAMINHOS  MAIS  DOCES!  –  Parte 2 / 2.

 

A chegada ao aeroporto foi um verdadeiro sufoco, uma vez que tudo me passava pela cabeça. E se ela não estivesse lá?! Sem saber falar uma só palavra em alemão, como eu me safaria?

Contudo, lá estava Bárbara: linda e sorridente! Tão ou mais nervosa do que eu, cujo coração mal cabia no peito. Verdade é que o ardente beijo no saguão do aeroporto constrangeu algumas pessoas, mas nunca fora tão sentido e desejado quanto aquele.
Para custear a minha estada, trabalhei como garçom, tomei conta de crianças e até uva eu colhi nos campos da França. Ah, foram ricas e preciosas experiências, isso sim. E até hoje, decorridos quarenta anos, até hoje, eu tiro proveito daquela incrível viagem.
Quando voltamos ao Brasil, nós fomos morar juntos e somente aí é que eu comecei a conhecer a personalidade de Bárbara. Muito embora ela não se queixasse de nada e demonstrasse estar feliz, no fundo, eu percebia que a sua “natureza” estava sendo violentada. É que Bárbara possuía uma dessas almas irremediavelmente cigana. Sendo assim, eu não achava justo sufocá-la com um bem-comportado casamento, por maior que fosse o nosso amor.

Conversávamos bastante sobre esse tema, mas sempre acabávamos postergando a decisão. Até que um dia, sem que fosse preciso dizer uma só palavra, pressentimos o fim. E como toda e qualquer separação, a nossa foi doída, triste e inconformada…
Passados tantos anos, minha gente, o mais surpreendente é que se eu perguntar aos amigos comuns sobre o paradeiro de Bárbara, as informações serão contraditórias. Seguramente. Uns afirmarão que ela confecciona “batik” em Jacarta, na Indonésia. Outros, dirão que ela mora na cidade do México, tem dois filhos e trabalha numa multinacional farmacêutica. Mas há quem garanta que ela, voluntariamente, cuida das tartarugas-gigantes em Abrolhos. E aí? Quem sabe onde está a verdade? E será que isso realmente importa? Bem… seja qual for o destino que Bárbara tenha escolhido, torço apenas para que esteja feliz. Com sorte, terá mantido aquele maravilhoso sorriso que tanto me cativou. Ah, tomara!

Por fim, o que mais posso dizer sobre essa rica experiência? Ah, quem sabe o meu querido filho Gabriel também consiga viver dias de intensa emoção, buscas e realizações?! No fundo, torço bastante para isso. Afinal, é só o que me cabe!

 

PS.  Apesar de tudo, meus amigos, com o tempo Gabriel perdeu alguns superpoderes. Paciência…  fazer o quê?  É da vida!

 

 

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...