Disco: CD “Alone”, de Bill Evans.

Há quem afirme que a “inspiração” de um escritor é proveniente, quase sempre, da solidão que se abate nele durante o processo. Segundo esses, somente quando os escritores estão sob o domínio da solidão é que conseguem produzir ativamente. Sei não. Pode até ser verdade para muitos deles. Lembro, ao menos, que para o meu tio Holdemar Menezes, extraordinário contista, ganhador do Prêmio Jabuti, a coisa funcionava mais ou menos assim: quando se dispunha a escrever, após maturar em pensamentos os caminhos que o conto percorreria, Holdemar silenciava por completo e a sua comunicação externa adquiria aspectos monossilábicos. Até mesmo comigo, com quem tinha fluência e intimidade, não dava muita bola…  Preferia se trancar no escritório da bela casa, no primeiro andar, e ali ficar enclausurado durante horas, ouvindo jazz ou música renascentista. A única companhia permitida era a velha máquina de escrever e o pincel corretor de textos (sim!, minha gente: havia vida antes do computador!).
Há diversos relatos envolvendo o processo de “criação” de outros célebres escritores. Uns apontam para o “confinamento” e outros nem tanto… O que sei dizer é para mim, desde que era adolescente e escrevia redações para a escola, eu também só conseguia desenvolver minhas ideias no silêncio e reclusão. Por isso, eu apelava para companhia de alguns bons discos. É bem o caso do CD solo de Bill Evans, “Alone”. Eu o adquiri no início dos anos 70 e tem me servido inúmeras vezes de “fonte de inspiração”. Basta ouvir “A time for love” e entrar no clima “noir” criado pela melodia. Assim, eu descubro que o “meu caminho” está bem ao lado…  Portanto, benditas sejam as melodias esparramadas pelos quatro cantos do mundo!

https://www.youtube.com/watch?v=VkpXzZYPhqo

 

Bill Evans

 

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...