Disco: CD “Alone”, de Bill Evans.

Há quem afirme que a “inspiração” de um escritor é proveniente, quase sempre, da solidão que se abate nele durante o processo. Segundo esses, somente quando os escritores estão sob o domínio da solidão é que conseguem produzir ativamente. Sei não. Pode até ser verdade para muitos deles. Lembro, ao menos, que para o meu tio Holdemar Menezes, extraordinário contista, ganhador do Prêmio Jabuti, a coisa funcionava mais ou menos assim: quando se dispunha a escrever, após maturar em pensamentos os caminhos que o conto percorreria, Holdemar silenciava por completo e a sua comunicação externa adquiria aspectos monossilábicos. Até mesmo comigo, com quem tinha fluência e intimidade, não dava muita bola…  Preferia se trancar no escritório da bela casa, no primeiro andar, e ali ficar enclausurado durante horas, ouvindo jazz ou música renascentista. A única companhia permitida era a velha máquina de escrever e o pincel corretor de textos (sim!, minha gente: havia vida antes do computador!).
Há diversos relatos envolvendo o processo de “criação” de outros célebres escritores. Uns apontam para o “confinamento” e outros nem tanto… O que sei dizer é para mim, desde que era adolescente e escrevia redações para a escola, eu também só conseguia desenvolver minhas ideias no silêncio e reclusão. Por isso, eu apelava para companhia de alguns bons discos. É bem o caso do CD solo de Bill Evans, “Alone”. Eu o adquiri no início dos anos 70 e tem me servido inúmeras vezes de “fonte de inspiração”. Basta ouvir “A time for love” e entrar no clima “noir” criado pela melodia. Assim, eu descubro que o “meu caminho” está bem ao lado…  Portanto, benditas sejam as melodias esparramadas pelos quatro cantos do mundo!

https://www.youtube.com/watch?v=VkpXzZYPhqo

 

Bill Evans

 

Show: a obra de Chico Buarque pela comovida voz de Antônio Zambujo.

A nossa Fundação Catarinense de Cultura está de parabéns com as apresentações musicais que acontecem nos seus espaços, notadamente no Teatro Ademir Rosa.

No dia 14 de novembro de 2017, nós tivemos o privilégio de assistir ao show de Antônio Zambujo, cantando as canções de Chico Buarque. Que coisa linda, minha gente!

Antônio não somente tomou emprestado a beleza e a qualidade do cancioneiro Buarquiano, como também acrescentou às melodias uma capacidade interpretativa jamais alcançada…  Por conta da incontida emoção, o show arrebata a todos do início ao fim. Algo para ficar na memória do majestoso teatro!