Disco: “All of me”, de John Pizzarelli.

Outro dia eu estava com o meu amigo Gérson Lepletier na simpática Biblioteca de Arte e Cultura, no Centro Integrado de Cultura, de Florianópolis, quando me ocorreu a lembrança sobre os novos valores do jazz. E como eu sei que ele é um profundo conhecedor de vocalistas, fui logo dizendo: “Gérson, estou impressionado com o talento do cantor e guitarrista, John Pizzarelli. O som que ele produz na guitarra é primoroso. A voz, no entanto… bem… acho que é apenas razoável. Muito embora haja carência de graves, consegue dar o recado. Em algumas passagens, ele até me faz lembrar o início da carreira de Chet Baker. Agora, convenhamos, o bom gosto na escolha do repertório, este sim, é o que há de melhor nele”.
Pizzarelli, muito à vontade, passeia nos principais “hits” do cancioneiro americano, abusando do refinamento nos solos da guitarra. A voz melosa, bem ao estilo dos “crooners” de boate, consegue captar a atmosfera intimista dos consagrados “blues”. Olha, verdade seja dita: o jeitão dele cantar “If I had you” tocou a minha alma. Coisa linda! Isto, sem falar da belíssima interpretação em “My baby just cares for me”, que ficou impecável, meus amigos. Além disso, Pizzarelli é apaixonado pela nossa imortal “bossa-nova”. Tanto é verdade que ele convidou Daniel Jobim (neto do eterno Tom Jobim) para uma apresentação especial de 75 minutos no XX Festival de Jazz de San Javier, Espanha, em julho de 2017. Maravilha!
Por certo, já ouvimos algumas criaturas afirmando que o jazz morreu. No fundo, podem acreditar: é puro engano! Até porque, Pizzarelli está aí para desmentir essa gente… Ah, como é bom saber que o nosso jazz se renova. Sempre e sempre!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...