Jazz: encerramento do Curso “Uma breve história do Jazz”.

Ao encerrarmos o curso “Uma breve história do Jazz”, no Cinema do CIC, lembrei-me da crônica que deu origem a essa ideia. Com ela, assim espero, eu quero prestar algumas homenagens. Aos alunos que frequentaram o curso, aos maravilhosos amigos músicos que nos deliciaram com uma tremenda “canja” e, obviamente, aos imortais gênios do jazz que justificam tudo isso..

É sabido que a música sempre ocupou um lugar de destaque no reino das artes. Em especial, o jazz, que pode ser considerado como o mais “erudito” dos ritmos populares, tal a riqueza melódica. Isto porque o jazz possui, em sua estrutura, arranjos tão sofisticados que somente músicos de qualidade são capazes de criar ou executar. Até então, somente a música erudita era reconhecida como “nobre” e, por conseguinte, a única que adquiria o “passaporte” da imortalidade. Os criadores dos famosos “clássicos” se perpetuaram e atravessaram a história com justa notoriedade. Não há quem desconheça as obras de Bach, Beethoven, Wagner e tantos outros gênios. No entanto, verdade seja dita: quase todos viveram ou frequentaram os burgueses salões das realezas. Bem diferente do nosso jazz, cuja origem foi escrava. Além disso, o nosso jazz serviu, inicialmente, apenas como canção de lamento. Ou seja, um pranto contra a dura opressão imposta pela burguesia. O verdadeiro canto dos “excluídos”…
Não quero, com isso, desmerecer o valor da música erudita. Seria insano. Todavia, acredito que o jazz possua mais legitimidade na sua história. Pelo simples fato de retratar a dor da alma. E dor, amigos, é o signo que mais atesta a condição humana. Seja ele branco ou preto, nobre ou plebeu. Nada disso importa. No fundo, o que vale mesmo é que o jazz sempre esteve acessível a todos. Sim! A todos que se deixam emocionar. Com dor ou paixão!

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