Recordações de Salvador – Parte 2 / 2

Uma das primeiras coisas que aprendi quando comecei a viajar, aos 16 anos de idade, foi a percepção de que deveria me desatar de qualquer julgamento prévio sobre o lugar da visita. Isto porque, convenhamos, minha gente, tal comportamento é o que mais nos atrapalha nos passeios e incursões. Quando se está com o espírito livre e desembaraçado, céus, as coisas acontecem espontaneamente e, quase sempre, de modo arrebatador!
Além disso, outra receita infalível é conversar com as pessoas da região e demonstrar interesse nos hábitos e nas origens das culturas locais. Por conta desse comportamento, creiam-me, geralmente temos ótimas surpresas. E ainda por cima corremos o risco de “crescermos” espiritualmente!
Lembro até que no nosso segundo dia, em Salvador, nós estávamos passeando pelo bairro do Rio Vermelho, após a visita a casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, quando resolvemos caminhar sem rumo. Em dado momento, não é que descobrimos uma pequena agência de viagens e ali contratamos uma excursão para Ilha do Frade, na Baía de Todos os Santos? Caramba! Foi um passeio maravilhoso, pois o lugar é lindo, cheio de surpresas. Um verdadeiro refúgio, meus amigos…
E assim foi durante toda a viagem. Cada dia nós íamos para um lugar diferente e sempre nos surpreendíamos. Tudo isso sem falar das “trocentas” igrejas, cada qual com a beleza própria, que é a marca daquele povo brioso e cheio de vida!
Caetano Veloso, um baiano pra lá de bom, já nos disse um dia, em verso e prosa: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…”
Tem razão, parceiro… E nada mais precisa ser dito!