Disco: “Diagonal”, de Johnny Alf

Não sei se vocês vão concordar comigo. Mas, com o passar do tempo, torna-se cada vez mais comum a gente cultivar um certo “saudosismo”. Isto porque, convenhamos, quando se fica mais velho aumenta também o “banco de memórias” e talvez com o medo de extraviá-las a gente se “agarra” aos episódios mais significativos que foram vividos. Parece até um mecanismo de autodefesa, inocente e sem grandes consequências. Sei lá, pode bem ser verdade. Contudo, na dúvida, é preciso ficarmos atentos aos caminhos e descaminhos que isso pode acarretar. Afinal, nunca se sabe…
No meu caso, meus amigos, acredito que pelo fato de ter 67 anos e ter vivido intensamente minha infância, juventude e a fase adulta, eu possa “escorregar” aqui e acolá nessas rememorações. No entanto, não sou dessas criaturas que acham que o melhor da vida foi na “sua época”. Lá, isso não! Para mim o que vale são os bons episódios, sejam eles longínquos ou recentes, pouco importa.
Vejam o exemplo desse CD do grande Johnny Alf, intitulado “Diagonal”. Quando bati os olhos nele na loja de raridades que havia na rua Augusta, em São Paulo, confesso que fiquei entusiasmado, pois sou fã de carteirinha da nossa bossa-nova e Jonnhy Alf foi um mestre. Mas é aquela velha história: tem coisas que efetivamente “prescrevem” com o tempo. E pelo visto é bem o caso. Não que o CD não tenha valor, minha gente. Porém, eu acho que ele “envelheceu” e não impressiona mais a gente como ocorria na época…
Eu ouvi atentamente as doze melodias mais de uma vez e, ainda assim, não me senti remetido ao velho Beco das Garrafas, na Copacabana que conheci na minha mocidade.
Vale muito mais como “documento histórico” do que o CD dos nossos sonhos. Tanto é verdade que ao guardar o CD na minha estante, ele acabou ficando na parte de trás. Aquela parte que pouco se vasculha e que acaba acumulando mais pó que as outras…
Paciência, fazer o quê?!