Música: Astor Piazzolla para sempre!

Eu bem sei que o tempo voa mais rápido que a história. Por vezes, nem mesmo os pensamentos conseguem acompanhar o seu ritmo. Verdade mesmo é que, algumas vezes, isso dói um bocado. Eu explico. É que eu estava remexendo no diretório de fotos no computador e, de repente, acabei me deparando com algumas que não me lembrava mais… Eram fotografias de quando eu cheguei em Floripa, em 1997. Ao observar uma delas, no apartamento na Lagoa da Conceição, lembrei-me do período que ela representava. Eu havia recém-chegado do Rio de Janeiro, após a aposentadoria especial de 25 anos de magistério e, além disso, eu acabara de sair de um casamento. Como é comum nessas horas, eu estava doído e fragilizado. Por isso, Florianópolis representava uma espécie de “terra prometida”, onde encontraria o meu paraíso e a minha bem-aventurança!
Foi o período que mais escutei jazz. É bem verdade que foram momentos de muita reclusão e, por conta disso, requeriam sons mais intimistas, mais contemplativos. Daí a minha escolha ter recaído em alguns “especialistas”, como o foi o caso de Gerry Mulligan. Sem dúvida, uma baita músico!
Mulligan é um virtuose no sax barítono, instrumento no qual tornou-se, talvez, a maior referência mundial. Consegue extrair um timbre riquíssimo daquele sax, com improvisações extremamente melódicas. Seu sopro está quase sempre impregnado por atmosfera mais intimista. Por isso, foi um dos principais expoentes do “cool jazz”, participando das gravações do célebre disco do trompetista Miles Davis, “Birth of the Cool”.
Ah, ao ver uma outra foto da mesma época, 1997, lembrei-me de um outro disco de Gerry Mulligan, “Summit” ou “Reunión cumbre”, gravado em 1974 com o genial Astor Piazzolla. Coisa linda!