Disco: ““Saga of the Good Life and Hard Times”, com Nina Simone.

O nome de batismo era Eunice Kathleen Waymon. É bem verdade que durante um bom tempo ela podia ir para todos os cantos sem ser importunada. Mas isso, só foi possível até completar 20 anos. Daí para frente, ela iniciou uma carreira musical e passou a ser conhecida como Nina Simone: cantora, pianista e compositora. O fato é que ela foi bem mais do que isso, minha gente, pois tornou-se também uma das mais renitentes ativistas pelos direitos civis nos EUA.
Dona de uma linda e vigorosa voz, Nina Simone parece ter embutido no seu canto um sem número de outros sofrimentos. Surgidos na dor dos negros norte-americanos, cujos os destinos nem sempre foram alvissareiros. Eram tempos difíceis! Tempos de muita dor, perseguição e desesperanças. Época em que os negros já nasciam com o espírito conformado para a “sina” que se iniciava. E por infortúnio, ou eles buscavam descobrir o talento que poderia lhes render algum “salvo-conduto” ou estavam predestinados a sofrer toda sorte de humilhações.
Foram tempos em que os homens, as mulheres e as crianças usavam a música e a dança como expressão de “fala”. E o que aquelas palavras diziam, meus amigos, inexoravelmente, eram apelos por liberdade e justiça. Um clamor que o homem branco teve muita dificuldade para entender. Como castigo, viu-se obrigado a reconhecer o enorme valor da arte negra. Arte baseada no ritmo e na melodia, nas letras das canções e nas danças… Enfim, arte nascida dessa maravilhosa negritude! E foi preciso muito, muito tempo para que um dia um branco dissesse: “Black is beautiful”!
Talvez, por isso, é que Nina Simone tenha construído uma personalidade “endurecida” por tanta revolta. E inconformada, ela conseguiu expressar no seu canto toda emoção que uma criatura pode externar… Uma verdadeira “expiação vocal”!
O CD em questão, “Saga of the Good Life and Hard Times”, é uma compilação de 16 consagradas canções da carreira de Nina. E ao ouvirmos “Ain’t got no / I got life” podemos ter a dimensão do que é o “não ter” na vida de muitos irmãos…