Disco: “The soul of Ben Webster”, com Ben Webster.

O título do CD, “A alma de Ben Webster”, gravado em 1957, convenhamos, é muito apropriado. Até porque ele revela a essência de um belo trabalho. Ben Webster foi um maravilhoso saxofonista e tinha um bom gosto a toda prova. Sempre muito elegante no suave sopro e no fraseado rico e melódico, Ben era conhecido como “O bruto” na famosa orquestra de Duke Ellington nos anos de ouro do jazz. Ao lado de Coleman Hawkins e Lester Young, Ben Webster produziu as melhores páginas da Era do Swing.
Ainda assim, quando eu penso no título do CD, confesso, sinto um profundo arrepio. Não tanto pela riqueza de suas interpretações, que são impecáveis, mas pelo sentimento de que a “alma” é o bem mais precioso que o ser humano pode ter. E, ao que tudo indica, segundo os estudiosos: a palavra alma é uma tradução da palavra hebraica “néfesh”, que literalmente significa “criatura que respira”, e da palavra grega “psykhé”, que significa “um ser vivente”. Portanto, minha gente, a “alma” é a criatura inteira e não algo dentro do corpo que sobrevive à morte. Desse modo, nós podemos desfrutar do talento desse monstro sagrado que, seguramente, respirava com a alma de um anjo…
O álbum duplo em questão contém o que há de melhor no cancioneiro norte-americano e nele podemos ouvir melodias suaves, como grande patrimônio deixado por Ben Webster, mas também algumas inquietas composições, plenas de improvisos e variações melódicas. Afinal de contas, Fernando Pessoa já nos disse uma vez que “tudo vale a pena se a alma não é pequena!”