Disco: “Live at the house of tribes”, com Wynton Marsalis.

Wynton Marsalis é um músico de altíssima qualidade, seja por sua refinada técnica ou mesmo pelas extraordinárias escolhas que tem feito ao longo da carreira. Eu conheci a música de Marsalis lá pelos idos dos anos 80, quando meu pai me apresentou ao produtor musical, Roberto Quartin, falecido em 2004.
Quartin era um homem extremamente elegante e possuía um incrível bom gosto musical. Produziu o que havia de melhor na música nacional (bossa-nova, jazz e até mesmo trilhas sonoras para o cinema). E foi o grande responsável pelo o registro completo, 21 músicas, das sessões de gravação do antológico disco de Tom Jobim e Frank Sinatra.
Com o passar dos anos, eu e Roberto Quartin estreitamos a amizade e por seu intermédio, adquiri dezenas de “LaserDiscs”, que era o DVD daquela época. Por serem discos americanos, havia uma enorme oferta de shows musicais, filmes e documentários. Lembro bem que custavam, no início dos anos 80, a bagatela de 20 dólares a cópia em VHS ou 50 dólares o disco a laser original. Cheguei a ter mais de sessenta discos e acima de cem fitas de vídeo. Foi uma época de ouro, minha gente, pois assisti aos melhores shows de Chet Baker, Wynton Marsalis, Sarah Vaughan e o que havia de mais interessante como, por exemplo, a série original de Carl Sagan, intitulada “Cosmos”. Céus… bons tempos!
O mais interessante de tudo é que o nosso estimado Roberto Quartin desenvolvera uma tremenda “psicologia de vendedor”, uma vez que convencia até mesmo esquimó a adquirir uma geladeira, sabe como é?! Quando ele me ligava, inevitavelmente, eu sabia que não iria “escapar ileso”. Começava a conversa falando com entusiasmo sobre o último LaserDisc do Chet Baker. Algo assim: “Carlos, meu querido, você já ouviu a interpretação que o Chet Baker fez em Tóquio? É coisa do outro mundo… linda… arrebatadora, eu diria!” E aí, meus amigos, só me restava perguntar se ele me parcelaria o pagamento em duas ou três vezes… Já era!
O que sei dizer é que até hoje eu sou tremendamente grato ao querido Roberto Quartin por ter me apresentado aos melhores espetáculos musicais. Shows que me propiciaram inúmeras descobertas musicais. Como foi o caso do “Dueto Barroco”, gravado em 1992, por Kathleen Battle e Wynton Marsalis, uma verdadeira obra de arte.
Resta-me ouvir Wynton Marsalis e seu maravilhoso trompete, bebendo uma boa cerveja (já que é verão) e brindar ao amigo Roberto Quartin. Saravá, irmão!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...

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