Literatura: o gosto pelo conto.

Se há um estilo literário que me agrada muitíssimo, este, por certo, é o conto. Justifico: é que o conto tem em sua estrutura uma grande dose de complexidade. Isto porque, sendo mais curto que o romance, o conto precisa criar com dinamismo e em pouco tempo a atmosfera que pretende ensejar. Para tanto, o começo, o meio e o fim da história têm que estar bem delineados desde o início, pois não haverá muito espaço para grandes devaneios, como ocorre nos romances. Aliás, há que afirme que o conto nada mais é do que síntese do romance ou, de outro modo, a retrospectiva dos melhores momentos do romance.
Bem… Na verdade, confesso, eu não concordo com essas afirmativas. Porquanto elas reduzem a importância do conto. Eu prefiro dizer que são apenas gêneros literários diferentes. Tão somente! Até porque, ao querer enquadrar os estilos literários em fórmulas mágicas, creio, corre-se o risco de produzir frágeis conceitos e definições. Além de empobrecer o entendimento, é óbvio…
Eu encontrei na internet um artigo assinado por Luiz Ruffato, que escreveu: “Ocorre com o conto um curioso fenômeno. Talvez, dos gêneros literários, seja o mais visitado por candidatos a escritor. Devido a pouca extensão e, por consequência, a falsa sensação de simplicidade, muitos se iniciam pela narrativa curta como uma espécie de exercício formal para o romance – o que se trata de um enorme equívoco, pois seria como alguém se preparar para correr 50 metros rasos acreditando habilitar-se para uma maratona. Narrativas curtas e longas pertencem a distintas naturezas.” Corretíssimo, meu caro!
Aliás, como grande admirador do conto, eu tive a oportunidade de ler alguns mestres na arte de construir curtas histórias. Cito alguns: Tchecov, Joyce, Julio Cortázar, Vargas Llosa, Machado de Assis, Rubem Fonseca e tantos outros que aparecem nas antologias dos melhores contos de todos os tempos.
No entanto, peço licença a todos para lembrar o nome do meu querido tio, Holdemar Menezes. A meu ver, ele foi um baita contista! E com muita justiça, mereceu o prêmio Jabuti, em 1972, da Câmara Brasileira do Livro, como o melhor livro de contos, “A Coleira de Peggy”.
Holdemar publicou oito livros, sendo dois romances (A macã triangular e Os residentes), três livros de contos (A coleira de Peggy, A sonda uretral e Os eleitos para o sacrifício), dois de crônicas (O barco naufragado e A vida vivida) e um de ensaio (Kafka, o Outro). Contudo, foi no conto que o “nego velho” se encontrou. Completamente! É que no conto Holdemar se sentia à vontade no processo de criação, pois mantinha nas mãos às rédeas da história, trabalhando as palavras e o clima com profundo talento e arte. De certo modo, posso dizer que sempre me inspirei na literatura do meu tio. Ele foi, além de meu “guru” intelectual, o grande incentivador do meu discreto percurso literário. Como prova disso, há na orelha do meu primeiro livro, “Jazz, Cinema & Utopia”, o seguinte texto: “Nas minhas crônicas há um aspecto bem marcado: opto sempre pela primeira pessoa do singular. Porquanto é mais íntimo e convidativo. Com isso, quebra-se o constrangimento, estabelece-se a tácita cumplicidade e o “rapto” é concedido afinal.”
Gabriel, meu querido filho, ao ler este texto, sentenciou: “Pai, fique tranquilo. A “força” está do seu lado…”

(Na foto: eu, Gabriel e os sorvetes de Tapioca, em Fortaleza!)

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