Disco: “New York – Lounge jazz”

Eu até posso imaginar que já tenha gente torcendo o nariz e pensando: “pô, esse Carlos é um bocado exigente. Vive reclamando de pequenos detalhes, uma coisinha aqui e outra acolá…” Pior ainda se for algum conterrâneo cearense, pois certamente vai dizer: “larga de ser prosa, abestado!”
Mas… calma aí, minha gente. Afinal, esse é o meu ofício. Mas se estou exigente demais, bem, aí são outros quinhentos… prometo que vou me cuidar. O fato é que eu me especializei em jazz, não em samba, tango ou “rock and roll”. Por isso, após 50 anos ouvindo jazz, a gente acaba aprimorando o gosto e, ao mesmo tempo, apurando o ouvido. Além disso, eu sempre convivi com extraordinários músicos e, de certa forma, eles me ensinaram a usar a régua da boa qualidade deles para medir a qualidade dos outros. E é por isso que eu me sinto à vontade para tecer determinados comentários. No fundo, convenhamos, o objetivo é enriquecer a análise dos comentários sobre os discos de jazz. E de mais a mais, tenho procurado ser imparcial e não faço campanha contra ninguém!
Portanto, aparadas as arestas, vamos em frente. Hoje eu quero comentar sobre um trabalho recente do grupo “Manhattan Jazz Quartett”. Neste disco, os músicos estão acompanhados pela vocalista e convidada especial, Debby Davis. O trabalho faz parte do projeto “Jazz & Blues Experience”, e circula pelas redes musicais por meio do álbum “New York Lounge Jazz – Vocal Classics”.
O que eu posso dizer é que desde o início do álbum fica evidenciado que o público alvo é o voraz consumidor das “play-list do Spotify” ou semelhantes. Talvez, por isso, a gente perceba um jazz agradável e muito aveludado, sem comprometer. Por outro lado, também é verdade que após ouvir algumas canções, eu cheguei a conclusão de que não compraria o CD. É o tal negócio: a audição é bem comportada demais, sem emoção e sem carisma… E aí, meus amigos, nós corremos o risco de ao chegarmos no final do CD, nem lembramos mais como era a primeira faixa ou a terceira ou a sexta… Assim é duro, né?!