Disco: “Jazz + Bossa”, com Delicatessen.

Há na dramaturgia um termo utilizado para quando o ator (ou atriz) “ultrapassa” o ponto de dramatização da cena. Os grandes diretores de teatros e televisão costumam denominar tal comportamento como o erro de “sobreatuar”. E isso é bem mais comum de ocorrer do que supomos, minha gente. Pois o ponto certo na dramatização da cena é, na verdade, algo bastante difícil de se encontrar e, não raro, os atores e atrizes ou passam ou ficam devendo a necessária impostação. Para o grande público, muitas vezes, isso passa desapercebido e os aplausos no final acabam acontecendo. Porém, para o diretor ou para um seleto grupo do público isso incomoda bastante, a ponto de prejudicar a cena ou até mesmo a peça…
Sim. E o que isso tem a ver com o disco “Jazz + Bossa”, do grupo Delicatessen, perguntarão os leitores? Eu explico. É que esse grupo vocal tem muitas qualidades. Tem bom gosto na escolha do repertório e soube mesclar no primeiro trabalho fonográfico o jazz com a bossa-nova. O resultado é quase primoroso, não fosse, em parte, empanado o brilho por conta de alguns “exageros” da vocalista. “Angel Eyes”, por exemplo, que é uma belíssima canção e que já foi interpretada por diversos “monstros” do jazz e do pop, acabou escorregando e ficou “chocha”. É o tal negócio: às vezes, no intuito de querer imprimir um selo autoral na interpretação, o cantor ou a cantora, perdem o diapasão e ficam tentando “reiventar a roda”, perdidos no meio do caminho…
Como nem tudo foi ruim, no conjunto da obra, devo reconhecer que o grupo musical é bem-vindo e tem tudo para brilhar no cenário musical. Basta um pouquinho mais de estrada e eles encontrarão o ponto certo. E torço para isso!