Disco: “Underground”, com Thelonious Monk.

 

Dizem que quase todas as criaturas, por mais dóceis que sejam, já tiveram a sua fase “carbonária” em algum momento da vida. Depois, é claro, elas navegam por outros mares mais plácidos e a vida segue outro ritmo. Pois é. Talvez isso seja um processo natural, visto que até mesmo no reino animal a gente verifica esse comportamento, não é verdade?.
De certo modo, eu tenho a impressão que ocorre situação semelhante na música. Porquanto a maturidade musical, muitas vezes, acaba sucedendo os “ímpetos juvenis”, criando interpretações serenas, intimistas e pessoais…
Para que não paire nenhuma dúvida sobre o meu gosto musical, eu trago hoje no cardápio, à guisa de ilustração, o exemplo do nosso extraordinário pianista, Thelonious Monk. Ah, minha gente, como se diz lá na terrinha: vixe, que cabra bom! Guerreiro!
É bem verdade que o disco em questão, intitulado “Underground”, possui dois aspectos que podem nos induzir ao erro. O primeiro é a capa do disco que, conforme pode ser vista, é a representação do pianista “guerrilheiro”. Literalmente. E o segundo aspecto é o disco em si: lindo, suave e harmonioso. Em algumas faixas, por exemplo, surge o sax tenor de Charlie Rouse com doces variações sobre o tema proposto por Monk. Além disso, temos uma faixa vocal bônus, com Jon Hendricks, “In Walked Bud”. Belíssima!
Então, pelo sim ou pelo não, meus amigos, aguerrido que sou, brindo ao ímpeto de Monk, que nunca fez concessões ao mundo comercial e se manteve íntegro na linha musical escolhida por ele, gostem ou não os senhores donos dos “estabelecimentos”.
Vivesse ele aqui em São Paulo ou Rio de Janeiro, diria sem medo: “é nóis, mano!”

https://www.youtube.com/com/watch?v=eXKIEJ0ez98

Monk